domingo, 7 de outubro de 2012
De dezembro pra janeiro, de Biazinha para Bianca
“E ela quis mudar; se valorizar; transformar-se. Usou todos os esmaltes que guardara para usar em uma ocasião especial que nunca chegava, quer dizer, quando chegava, usava a desculpa repentina de que estava sem animo, sem coragem, cansada. Usou todos os saltos comprados para usar em um suposto encontro que nunca acontecia. Comprou vestidos que sempre tivera vontade de usar, que sempre tinha um dinheirinho guardado para compra-los, porém não continha personalidade forte o bastante para sair com eles sem ligar ou se importar com o que iriam dizer sem pensar ou pensar sem dizer. Passou a se expressar melhor; é, ela passou a falar palavrões, pois palavras educadas não eram o suficiente para dizer o que ela queria falar, botar para fora tudo que lhe maltratava a meses. Quis mudar seu guarda-roupa. Não o guarda-roupa do seu quarto, mas o da sua vida. Jogou fora tudo aquilo que lhe machucava; tudo aquilo que lhe fazia mal - e não eram poucas as coisas. Ela esqueceu tudo que já havia lhe esquecido. Dançava uma melodia que ninguém jamais entenderia. Arrumou sua estante de diários velhos, no qual foram substituídos por livros de auto-ajuda, que não eram lidos, mas só por passar todo dia por aquela saleta e ver aqueles livros ainda embrulhados pensara: preciso me amar, acima de qualquer um. Pensou em vários cortes de cabelo, várias cores de esmaltes, inúmeras mudanças no qual a faziam parar para pensar: “pra quê?”. Realmente, aquilo não iria afetar muito em sua vida, pois o que realmente estava pesando por estar amontoado, eram seus sentimentos de culpa. Culpa de quê? De comer um bolinho e se achar gorda? Quem dera fosse isso… Culpa de não ter aproveitado a vida em quanto podia! Culpa de ligar para o que os outros dizem, e em querer se encaixar, se enquadrar em um padrão no qual não gostara. Renovada, se afundou em drogas. Decidiu deixar de lado a que mais lhe afetava, a que chamam de amor. Bebia, fumava. Rasgou fotografias de um passado que para ela mereciam um ‘foda-se’, pois nada mais lhe importava. Nasceu pra vida. Decidiu criar seu mundo e parar de se importar com os dos outros, eles que se encaixem no dela, pois não é assim? A vida muda quando você quer o mundo de outro jeito. Excluiu do seu antigo Mp3 músicas clichês e passou a admirar o rock, pois ao cantar, suas energias eram liberadas da melhor forma possível. Locou até um filme no qual antes olhava e pensava: nossa, jamais quero assistir, e adorou. Sorriu ao perceber que coisas novas lhe faziam bem. E foi assim que ela seguiu, se amando. Engolindo todos seus sentimentos e se amando como assim foi feita. E que se danem o resto, vai ser do seu jeito, no seu mundo, como ela quiser.” — Bibs, Bia, Bi, Bianca.
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